sábado, 12 de abril de 2014

BIOGRAFIA: HAUSMANN, Raoul (1886-1971).

 


BIOGRAFIA: HAUSMANN, Raoul (1886-1971).

O artista plástico nasceu em Viena (Áustria) e morreu em Limoges (França). Hausmann foi multimídia, poeta, escritor, teórico da arte, pintor, desenhista, escultor, tipógrafo, fotógrafo, autor de Fotomontagens e apresentador de Performances, que pertenceu às vanguardas Dadaístas berlinenses. O artista estudou em Berlim (1900-1905); ele tornou-se amigo de Johannes Baader (1875-1955) e Richard Huelsenbeck (1892-1974). A partir desta época, Hausmann participou dos eventos promovidos pelo grupo Dadá(março, 1918)


 
Hausmann participou ativamente das publicações: o artista iniciou sua colaboração na revista O Novo Pathos [Das Neue Pathos] (1915). Hausmann desenvolveu a técnica da Fotomontagem e apresentou suas colagens coloridas nas quais utilizou papel de embalagem de cigarros, anúncios, fotografias, letras recortadas de revistas e papéis impressos. Na época, o artista tornou-se um dos principais ilustradores das publicações como da revista A Tempestade [Der Sturm], de Herwarth Walden (1879-1941) e da revista A Ação [Die Aktion] de Franz Pfemfert. Hausmann tornou-se um dos editores da revista Der Dada (1919), que fundou com Johannes Baader: ele publicou na capa do primeiro número sua ilustração na técnica de Fotomontagem. Hausmann produziu ilustrações e artigos para várias das revistas Dadaístas, publicadas pela Editora Malik (v. abaixo), que pertencia a Wieland Herzfeld e seus irmãos Tom Herzfelde e John Heartfield (1891-1968), outro prolífico ilustrador. Hausmann publicou artigos na revista O Dadá [Der Dada] e na revista O Único [Der Einzige] (20 abril, 1919); ele esreveu manifestos como Dadá é mais que Dadá, publicado na revista holandesa De Estilo [De Stijl], editada por Piet Mondrian e Théo van Doesburg (Laren, Holanda, maio, 1921). Hausmann publicou ainda seus artigos Vitória e Triunfo e Tabaco, Feijão e Zangão, Voa! na revista Zênite [Zenith], das vanguardas húngaras (Zagreb).
O movimento dadaísta enveredou pela trilha da política, que radicalizou contra a falta de liberdade promovida devido a ascensão do nazismo alemão. Hausmann abraçou o Grupo Novembro [Novembergruppe] (1919-1920; v.), radical socialista,juntamente com Rudolf Schlichter (1890-1955), Richard Huelsenbeck (1892-1974), Hans Richter (1888-1976) e John Heartfield. Hausmann fundou, juntamente com Baader, o Clube Dadá Via Látea [Club Dada Milchstrasse] (1919); ele estabeleceu parceria de trabalho com Hannah Höch (1889-1978), com quem viveu durante alguns anos; ambos utilizaram nas obras a técnica inovadora da Fotomontagem (v.).


Hausmann foi um dos organizadores da dita, Feira Internacional Dadá [Dada Messe] juntamente com George Grosz (1893-1959) e John Heartfield, quando Johannes Baader e ele radicalizaram, pois vestiram manequim inflável com o uniforme das forças especiais alemãs, que completaram com máscara de cabeça de porco, intitulando a obra Arcanjo Prussiano. Nessa mostra Baader apresentou a maquete de sua construção Grandeza e Decadência da Alemanha (Plasto Die – Dada – Drame), que deveria ser monumento gigantesco com jardins suspensos de arquitetura Dadaísta. As obras citadas foram fotografadas na Feira Internacional Dadá, realizada na Galeria Otto Burchard (Berlim, 25 jul. - 25 ago., 1920), e se encontram reproduzidas (GIBSON, 1991).

Hausmann escreveu poemas experimentais, inovadores na forma tipográfica, utilizando recursos sonoros e palavras com marcante sonoridade, dando menor ênfase no sentido e maior ênfase ao som. Hausmann apresentou-se em performance pessoal no Café Áustria (Berlim), quando recitou poemas fonéticos de sua autoria como Alma do Automóvel [Seelenautomobile]. O artista viajou com Kurt Schwitters (1887-1948), quando participou do grupo Anti-Dadá-Mércio [Anti-Dada-Merz], formado com H. Höch, R. Hausmann e Gerhard Preiss, promovendo eventos performáticos ditos, Anti-Dadaístas em Dresden e Hamburgo (Alemanha), em Leipzig (Áustria) e em Teplitz-Sanova (Polônia), até chegarem a Praga (set., 1921). De acordo com o relato de Hausmann no Correio Dadá [Courrier Dada] (1958), ele e Hannah Höch recitaram o poema intitulado La Grande Révolution a Revon, de Schwitters, que Hausmann apreciava. Esse texto, que parodiava uma revolução, foi alternado com o do poema Cigarra [Cigarren] (Schwitters) e alguns poemas fonéticos como fmsbw e Kperioum (Hausmann). Gerhard Preiss apresentou 61 passos de dança no Trote Dadá [Dada Trott], durante a excursão na rota Berlim – Praga (1920- set. 1921).


Depois que o dadaísmo terminou na Alemanha, Hausmann separou-se de Hannah Höch (1922); e, durante o período de três anos abandonou sua atividade de artista plástico para consagrar-se inteiramente aos estudos de ótica (1924-1927). O artista desenvolveu o Otofone (1927), instrumento baseado na máquina de calcular com o uso da cor e do som. As pesquisas de Hausmann foram publicadas em artigo na revista Ma (Hoje), do húngaro Lajos Kassak (v. Vanguardas Húngaras, abaixo). Embora não se considerasse fotógrafo, o artista dedicou-se à fotografia; Hausmann produziu, no decorrer de sua vida, mais de 2000 fotografias. Hausmann começou a escrever seu romance Hyle, em Ibiza (Espanha, 1926), mas somente terminou-o anos mais tarde, quando foi viver retirado em Limoges (França). Durante curto período o artista voltou a viver na Alemanha, mas, pouco tempo depois, voltou a viver em Ibiza (1933-); no entanto, a guerra civil espanhola forçou-o a procurar refúgio, sucessivamente em Paris (1934), Zurique (1937) e Praga (1938), até que, finalmente, Hausmann estabeleceu sua residência permanente em Limoges, no sul da França (1944-1971). Nesta cidade o artista fotografou, realizou pinturas, pictogramas, além de fotomontagens nas quais utilizou fotos antigas de sua coleção.

Hausmann fotografou muito, especialmente os elementos da natureza como o vento, as dunas de areia e a vegetação; o artista também fotografou a arquitetura e os habitantes das Ilhas Baleares (Ibiza). Hausmann escreveu e publicou artigos etnológicos, ilustrados com suas fotografias: o artista publicou muitos artigos técnicos sobre a composição fotográfica e a questão da cor na fotografia. Hausmann escreveu e publicou o livro Correio Dadá [Courrier Dada] (Paris: Le Terrain Vague, 1958), sobre sua participação no movimento Dadaísta; ele publicou Eu não sou um Fotógrafo [Je ne suis pas um photographe] (Paris: Éditions du Chêne, 1976).

No final da vida Hausmann perdeu parcialmente a visão e tornou-se recluso; mas suas obras participaram de várias exposições internacionais de arte. Hausmann foi homenageado com mostra retrospectiva de suas obras no Museu de Estocolmo (1967); com outra mostra retrospectiva no MNAM - CGP (Paris, 1975); com mostra no Moderna Museet (Estocolmo, 1967); mostra no MNAM - CGP (Paris, 1974); no Museu de Arte Moderna de Saint-Étienne e no Museu Departamental de Rochechouart (1994).

Entre as obras de Hausmann mais marcantes nas artes plásticas da fase Dadaísta, destacamos a Fotomontagem com a imagem do artista vanguardista russo Vladimir Tatlin, intitulada Tatlin em Casa (1920, colagem, fotografia de Tatlin, 41 x 28 cm, no Moderna Museet, Estocolmo). A imagem tornou-se representativa do Dadaísmo radical berlinense, que admirava os artistas russos Construtivistas, como Tatlin, e tornou-se bastante significativa nesta fase do Dadaísmo na Alemanha. Na mesma época, Hausmann criou sua montagem escultórica Cabeça Dadá [Dada Kopf] (1920, MNAM - CGP, em Paris).

Na inauguração da mostra coletiva dita, Feira Internacional Dadá (Berlim, 1920), Hausmann apareceu em várias fotografias juntamente com H. Höch e artistas do mesmo grupo, publicadas (GIBSON, 1991). Alguns historiadores de arte atribuem à Hausmann a invenção da Fotomontagem: no entanto, este é ponto polêmico, pois, na mesma época, muitos dos artistas devotaram-se a esta técnica, principalmente John Heartfield, Hannah Höch, Max Ernst, Johannes Baader e Johanes Baargeld. Acreditamos que a técnica da Fotomontagem (v.), foi invenção do coletivo dos Dadaístas, mas também criação das vanguardas russas, utilizada especialmente por Alexander Rodchenko.

 
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:


 
BRITT, D.; MACKINTOSH, A.; NASH, J. M.; ADES, D.; EVERITT, A; WILSON, S.; LIVINSGSTONE, M. Modern Art: from Impressionism to Post-Modernism. London: Thames and Hudson, 1989, 416p.: il., p. 220.
 
 
CATÁLOGO. ADES, D. Dada and Surrealism Reviewed. Introduction by David Syilvester and supplementary essay by Elizabetn Cowling. London: the Authors and the Art Council of Great Britain, Hayward Galleries, 1978. 475p.: il., pp. 79-83, 88, 123-129, il. 4. 42
 
 

CATÁLOGO. HULTEN, P. (ORG.); JUANPERE, J.A.; ASANO, T.; CACCIARI, M.; CALVESI, M.; CARAMEL, L; CAUMONT, J; CELANT, G; COHEN, E.; CORK, R.;CRISPOLTI, E.; FELICE, R; DE MARIA, L.; DI MILLIA, G.; FABRIS, A.; FAUCGEREAU, S.; GOUGH-COOPER, J.; GREGOTTI, V.; LEVIN, G.; LEWISON, J.; MAFFINA, F.; MENNA, F.; ÁCINI, P.; RONDOLINO, G; RUDENSTINE, A.; SALARIS, C.; SILK, G.; SMEJKAI, F.; STRADA, V.; VERDONE, M.; ZADORA, S. Futurism and Futurisms. New York: Solomon R. Guggenheim Museum, Abeville Publishers, 1986. 638p.: il, retrs., p. 456.

 
DICIONÁRIO. BREUILLE, J-P. Le dictionnaire mondial de la photographie : la photographie des origines a nos jours. Sous la direction de Jean-Philippe Breuille. Paris: Larousse, 1994. 735p.: il., retrs, pp. 364-365. (Dictionnaires specialisés).

 
 

DICIONÁRIO. SCHMIED, W.; WITFORD, F.; ZOLLNER, F. The Prestel Dictionary of Art and Artists in the 20th century. Munich London - New York: Prestel, 2000. 383p.: il.


 
DICIONÁRIO. SEUPHOR, V. M. Nouveau Dictionaire de la Peinture Moderne. Paris: Fernand Hazam, 1963, p. 189.

 
GIBSON, M. Duchamp Dada. Paris: N. E. F. Casterman, 1991. 263p.: il., pp. 106-109.


 

LÉVÊQUE, J-J. Le triomphe de l'art moderne: les Anées Folles. Paris: A. C. R. Éd. Internationalles, 1992. 624p.: il., retrs., p. 228.

 

 
PIERRE, J. El futurismo y el dadaísmo. Madrid: Aguilar, 1968,p. 172.

Nenhum comentário:

Postar um comentário